Moisés - Sua Liderança e Seus Liderados

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Recaía sobre os ombros de Moisés a tarefa de organizar uma multidão tão grande e julgar o povo mesmo nas coisas insignificantes que surgiam entre eles a cada momento. Entre as tribos semitas nômades, o líder era também o legislador e o árbitro das disputas. Ele procurava fazer tudo não repartindo os trabalhos e responsabilidades entre diversas pessoas. Quando seu sogro Jetro o visitou, trazendo-lhe sua esposa e filhos, Moisés recebeu seu conselho, apesar de apresentar a Jetro duas boas razões por que ele resolvia sozinho todos os casos. Primeira, o povo requeria decisão que pudessem confiar ser a resposta do próprio Deus. Segunda, além de resolver a disputa imediata, ele podia usar o caso como base para transmitir princípios morais, estatutos, bem como leis específicas que diziam respeito a circunstâncias especiais.
Jetro oferece sua solução para o problema. Em primeiro lugar, Moisés devia continuar a agir claramente como representante de Deus para com o povo, ensinando-os os princípios dados por Deus, pelos quais os muitos casos detalhados poderiam ficar decididos, e levando todos os casos especialmente difíceis diretamente a Deus (conf. Nm 9.6-8). Porém o trabalho poderia ser aliviado se fossem nomeados oficiais legais que ouvissem separadamente as disputas, segundo o grau de gravidade dos casos.
A qualificação para os sub-juízes é que eles deveriam preocupar-se exclusivamente com a aprovação de Deus, e não do homem (conf. Êx 1.17), que fossem cândidos em seus vereditos, e que não se encurvassem aos subornos. No versículo 23 Jetro submete seu próprio conselho à aprovação final da orientação de Deus. Não somente aquele plano aliviaria Moisés, mas o povo retornaria satisfeito para suas tendas, sempre que tivessem trazido algum caso perante os oficiais locais. Após o conselho, Moisés organizou Israel em grupos e colocou chefes sobre estes para resolver as dificuldades. Parece que Moisés demonstrou grande sabedoria e humildade ao receber as sugestões de outros.
Há indícios que nesta ocasião Jetro se converteu à religião do Senhor. Ao ouvir falar dos prodígios que o Senhor havia feito, Jetro reconheceu que Deus era supremo sobre os deuses pagãos e lhe ofereceu sacrifício (18:8-12). Ross comenta: “Lembremo-nos de que um dos propósitos das pragas foi fazer que Faraó e todas as nações reconhe¬cessem que o Senhor é Deus.” Aqui se observa entre os gentios algo das primícias resultantes dos juízos sobre o Egito.
O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre o assunto em tela. Extraídos dos comentários de Charles H. Mackintosh (1820 - 1896), os comentários desta lição focam em outra abordagem, diferente da abordagem do comentarista. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos, pontos de vista e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.
I. O TRABALHO DO SENHOR E OS SEUS OBREIROS
Desde o versículo 13 até ao fim do capítulo fala-se da nomeação de chefes para ajudarem Moisés na administração dos negócios da congregação. Isto foi feito por sugestão de Jetro, que temia que Moisés desfalecesse totalmente em consequência do seu trabalho. Em relação com este fato, pode ser útil considerar a nomeação dos setenta anciãos em Números, Capítulo 11. Vemos ali o espírito de Moisés esmagado sob o peso da responsabilidade que pesava sobre si, e dá lugar à angústia do seu coração nas seguintes palavras: “Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, que pusesses sobre mim a carga de todo este povo?- Concebi eu, porventura, todo este povo?- Gerei-o eu, para que me dissesses que o levasse ao colo, como o aio leva o que cria, à terra que juraste a seus pais. Eu sozinho não posso levar a todo este povo, por que muito pesado é para mim. E, se assim fazes comigo, mata-me, eu te peço, se tenho achado graça aos teus olhos; e não me deixes ver o meu mal” (Nm 1:11-15).
Em todo este caso vemos como Moisés se retira de um lugar de honra. Se aprouve a Deus fazer dele o único instrumento da administração da Assembleia, isso foi para ele uma maior honra e um alto privilégio. É verdade que era uma grande responsabilidade; porém a fé teria reconhecido que Deus era amplamente suficiente para tudo. Todavia, Moisés perde o ânimo (servo abençoado como era) e diz, “eu sozinho não posso levar todo este povo, porque muito pesado é para mim. Mas ele não fora incumbido de levar todo o povo sozinho, porque Deus estava consigo.
O povo não era demasiado pesado para Deus; era Ele que os suportava. Moisés era apenas o instrumento. Da mesma forma poderia ter dito que a sua vara levava o povo, porque o que era ele senão um simples instrumento nas mãos de Deus, da mesma forma que a vara o era nas suas? E neste ponto que os servos de Cristo falham constantemente; e a sua falta é tanto mais perigosa quanto é certo que se reveste da aparência de humildade. Fugir de uma grande responsabilidade dá a impressão de falta de confiança pessoal e de uma profunda humildade de espírito; porém, tudo que nos interessa saber é se Deus tem imposto essa responsabilidade. Sendo assim, Ele estará incontestavelmente conosco no seu desempenho; e, com a Sua companhia, podemos suportar todas as coisas. Com o Senhor o peso de uma montanha não é nada; sem Ele o peso de uma simples pena é esmagador. É uma coisa muito diferente se um homem, na vaidade do seu espírito, se apressa em tomar um fardo sobre os seus ombros, um fardo que Deus nunca teve intenção de ele levar, e, portanto, nunca o dotara para o conduzir; podemos, portanto, esperar vê-lo esmagado sob o peso. Porém, se é Deus que põe sobre ele esse fardo, Ele torna-o não só apto a conduzi-lo como lhe dá as forças necessárias.
II. O ENSINAMENTO PARA O SERVO DE CRISTO
O abandono de um posto divinamente indicado nunca é o fruto de humildade. Pelo contrário, a mais profunda humildade manifes-tar-se-á na permanência nesse posto em simples dependência de Deus. Quando recuamos ante algum serviço sob o fundamento de inaptidão é uma prova segura de estarmos ocupados com o ego - com nós próprios. Deus não nos chama para o serviço com base na nossa capacidade, mas, sim, na Sua; por isso, a menos que esteja ocupado com pensamentos a meu respeito ou com desconfiança n’Ele, não preciso abandonar qualquer posição de serviço ou testemunho por causa das muitas dificuldades relacionadas com ela. Todo o poder pertence a Deus, e é o mesmo quer esse poder atue por meio de um só instrumento ou mediante setenta; o poder é ainda o mesmo: contudo, se um instrumento recusa o cargo, tanto pior é para ele. Deus não obrigará ninguém a ocupar um lugar de honra, se não confiar em Si para o manter nele. O caminho está sempre aberto para poder descer do seu cargo e lançar-se no lugar onde a vil incredulidade quer colocar-nos.
Aconteceu assim com Moisés: queixou-se do fardo que devia levar, e o fardo foi imediatamente removido; porém com ele foi tirada também a grande honra de poder levá-lo. “E disse o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, de quem sabes que são anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da congregação, e ali se porão contigo. Então, eu descerei, e ali falarei contigo, e tirarei do Espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão o cargo do povo, para que tudo sozinho o não leves” (Nm11:16-17). Nenhum novo poder foi introduzido. Era o mesmo Espírito, que fosse num ou em setenta. Não havia mais valor ou virtude na natureza de setenta homens do que na de um só homem. “O Espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita” (Jo 6:63). Nada se ganhou, quanto ao poder, mas Moisés perdeu muito da sua dignidade.
Na segunda parte do capítulo onze de Números vemos como Moisés profere palavras de incredulidade, as quais lhe valeram uma severa reprimenda da parte do Senhor. “Seria pois encurtada a mão do Senhora Agora verás se a minha palavra te acontecerá ou não” (versículo 23). Se o leitor comparar os versículos 11 a 15 com os versículos 21 e 22, verá que existe uma relação solene e clara. O homem que recua perante a responsabilidade, com fundamento na sua própria fraqueza, corre grande perigo de pôr em dúvida a suficiência e plenitude dos recursos de Deus.
Esta cena ensina uma lição muito preciosa para todo o servo de Cristo que possa ser tentado a sentir-se só ou sobrecarregado com o seu trabalho. Convém que um tal servo se lembre que, onde o Espírito Santo está operando um só instrumento é tão bom e eficaz como setenta instrumentos; e onde Ele não opera, setenta não têm mais valor do que um só. Tudo depende da energia do Espírito Santo. Com Ele um só homem pode fazer tudo, sofrer tudo e suportar tudo.
Sem Ele setenta homens nada podem fazer. Que o servo solitário se recorde, para conforto e ânimo do seu coração fatigado, que, contanto que tenha consigo a presença e poder do Espírito Santo, não tem motivo para queixar-se da sua carga nem de suspirar por diminuição do seu trabalho. Se Deus honra um homem dando-lhe muito trabalho a fazer, regozije-se o tal no seu trabalho e não murmure; porque se murmurar pode perder rapidamente a sua honra. Deus não tropeça com dificuldades quando se trata de achar instrumen¬tos. Até das pedras podia levantar filhos a Abrão, e pode suscitar de essas mesmas pedras os instrumentos necessários para o cumprimento da sua obra gloriosa.
Ah! quem tivera um coração mais disposto a servi-Lo! Um coração paciente, humilde, consagrado e despido de si mesmo! Um coração pronto a servir com outros e disposto a servir só; um coração cheio de tal maneira de amor por Cristo, que encontra o seu gozo -o seu maior gozo-em servi-Lo, seja em que esfera for e qualquer que seja o caráter do serviço. Esta é certamente a necessidade especial dos dias em que nos caiu a nossa sorte. Que o Espírito Santo desperte em nossos corações um sentimento mais profundo da preciosidade excelente do nome de Jesus e nos habilite a dar uma resposta mais clara, completa e inequívoca ao amor imutável de Seu coração!
CONCLUSÃO
Na confecção deste pequeno estudo, buscamos consultar literatura que mais se aproxima com o pensamento de nossa denominação, tentando não perder a coerência teológica. Evitamos expressar conceitos e opiniões pessoais sem o devido embasamento na Palavra, pois a finalidade é agregar conhecimentos, enriquecer a aula da escola dominical e proporcionar ao professor domínio sobre a matéria em tela. Caso alcance tais finalidades, agradeço ao meu DEUS por esta grandiosa oportunidade.
Ev. JOSÉ COSTA JUNIOR

Os Dez Mandamentos do Senhor


TEXTO ÁUREO = “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.”
VERDADE PRÁTICA = A lei expõe e condena os nossos pecados, porém, o Senhor Jesus Cristo, pelo seu sangue expiador, nos perdoa e nos justifica mediante a fé.
LEITURA BIBLICA = Êxodo 20: 1-5, 7-10,12-17
INTRODUÇÃO
O povo de Deus, desde os tempos da criação, é um povo que vive debaixo de normas e orientações divinas. Essas normas foram anotadas e transmitidas oralmente. Com o povo de Israel, o Senhor mandou que Moisés escrevesse os mandamentos, os juízos e os estatutos, que reunissem a lei do Senhor. Os dez mandamentos são um conjunto de normas espirituais, éticas e morais, para o povo que Deus escolheu para representá-lo entre todas as nações do mundo, como Sua propriedade peculiar, reino sacerdotal e povo santo (Êx 19.5-7).
1. SIGNIFICADO E CLASSIFICA ÇAO DO DECÁLOGO
Os dez mandamentos são chamados, também de “O Decálogo”, expressão que vem do Grego (Dekálogos), significando “dez palavras”, ou dez princípios, leis ou mandamentos (Dt 4.13). Existem diversas classificações quanto à ordem dos dez mandamentos. Umas, por conveniência, e outras, por erro de interpretação.
1. Classificação católica e luterana. O primeiro mandamento é a reunião dos Êx - 20.2-6.0 segundo, o versículo 7; Do terceiro ao 8º, mandamentos, incluem os versículos 8 a 16; o nono e o décimo mandamentos são resumidos no versículo 17 de 20. Esta classificação é enganosa, pois procura evitar o destaque de Êx 20.4, como o segundo mandamento, que proibe fazer imagens de esculturas e o v.5, que proibe encurvar-se a elas. Essa artimanha doutrinária é freio da concepção idolatrada Igreja Católica. Os luteranos também a adotam.
2. Classificação correta. A Igreja Evangélica, em geral, adota como válida a classificação que considera o primeiro mandamento como sendo Êx 20.3; o segundo (v.4-6); o terceiro (v.7); o quarto (v.8-11); o quinto(v.12); o sexto (v.13); o sétimo (v.14); o oitavo (v.15); o nono (v.16) e o décimo, todo o versículo 17. Essa ordem é aceita desde a Igreja Primitiva, pela Igreja Ortodoxa Oriental e pelas igrejas protestantes em geral (Comentário Bíblico Moody, p.90). Essa discrepância doutrinária mostra como pensadores e lideres religiosos procuram torcer a Palavra de Deus, de modo a acomodá-la a seus dogmas e ensinamentos tendenciosos. Eles incorrem na repreensão do Senhor (Jr 22.36b).
IL ABRANGÊNCIA DO DECÁLOGO
1. No aspecto estrito. Os dez mandamentos, sob o ponto de vista estrito, contém normas de relacionamento entre o povo de Israel e o seu Deus e entre os indivíduos e o seu próximo. O Decálogo proibe matar (6º mandamento). Cristo, doutrinando sobre o assunto, disse que era pecado não só matar, mas, até, encolerizar-se, sem motivo, contra o seu irmão (Mt 522). Nesse aspecto estrito, tem-se, por exemplo, a guarda literal do sábado como sétimo dia da semana. Somente pari os judeus foi isso determinado (Ex 31.12-18; Ez 20. 12- 13,20; Cl 2.16-17) e não para todos os povos.
2. No aspecto mais amplo. O Decálogo contém normas que servem para todos os povos, respeitando-se sua aplicação, de acordo com o entendimento abrangente dos propósitos neles incluídos.
Enquanto para o judeu, o sábado deveria ser observado estritamente, no seu aspecto moral e cerimonial, para outro povo serve a recomendação quanto a observar- se um dia de descanso na semana, para restauração das energias físicas e espirituais. Não matar, não cobiçar nada do próximo, honrar os pais, e não ter outros deuses além do Senhor, é, em essência, o desejável para todos os povos e nações.
3. Cristo e o Decálogo. O Senhor Jesus Cristo, doutrinando sobre o cumprimento da lei, fez alusão ao comportamento dos escribas e fariseus. que procuravam ser legalistas, observando o aspecto formal da lei, mas não praticavam de verdade, no dia-a-dia, o que era mais importante para a vida espiritual. Por isso, o Senhor disse aos seus discípulos que a justiça deles deveria exceder à dos escribas e fariseus (Mt 5.20). Em seguida, o Mestre demonstrou, no Sermão da Montanha, como Ele entendia e ordenava aos seus seguidores o cumprimento dos mandamentos:
= 6º.- mandamento: não matarás. Jesus disse: “Qualquer que se encolerizar, sem motivo, contra seu irmão, será réu de juízo”. “Qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno” (Mt 5.22).
= 7º.- mandamento: não adulterarás. Jesus disse: “Qualquer que atentar numa mulher para cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.28).
Com esses exemplos, o Senhor Jesus mostrou que ele não é um legalista formal. Ele exige dos seus servos não apenas o cumprimento exterior, mas o cumprimento interior das normas da lei.
4. O Decálogo e sua unidade com a lei. Alguns crentes, adeptos do legalismo, fazem questão de dividir a lei em aspectos ou partes, a fim de melhor se acomodarem com suas doutrinas e equívocos teológicos. Dentre esses, os mais conhecidos são os Adventistas do Sétimo Dia. Eles dividem a lei em:
1) Lei Moral, compreendendo os dez mandamentos e
2) Lei cerimonial, que compreende os demais preceitos da lei. Há quem veja, ainda, um terceiro aspecto:
A lei Social ou Civil. Esse arranjo doutrinário nada mais é do que a tentativa de legitimar a doutrina da guarda do sábado. Dizem eles que Jesus Cristo aboliu a lei cerimonial (sacrifícios, rituais,etc), mas que não aboliu a lei moral (os dez mandamentos), entre os quais está a guarda do sábado. Entretanto, nem Jesus nem os apóstolos fizeram qualquer referência a essa divisão (arbitrária) da lei. No Sermão da Montanha, que contém as “leis do Reino”, vemos o Senhor referir-se à lei de modo geral, incluindo ou não os dez mandamentos. Em Mt 5.21, refere-se ao 6 mandamento; em Mt 5.28, refere-se ao 7º. mandamento; em Mt 5.31, refere- se ao divórcio, que não está nos dez mandamentos, mas está na lei, e dá sua determinação sobre o assunto; Em Mt 5.43, Jesus refere-se ao amor ao próximo, que está na lei, mas não nos dez mandamentos (Lv 19.18).
Paulo, referindo-se à lei, não faz qualquer distinção entre moral e cerimonial. Em 01 5.3, ele diz que os que querem justificar-se pela lei estão separados de Cristo; que são malditos os que não permanecem em todas as coisas da lei ( Gl 3.10).
Naquilo em que os adventistas chamam de lei cerimonial, há inúmeros preceitos morais. Por exemplo: Não afligir a estrangeiros, órfãos e viúvas (Êx 22.21,22). É preceito altamente moral e não cerimonial. Não torcer o juízo (Dt 16.19). Estes e outros são preceitos morais, que, no entanto, não estão no Decálogo. Diante disso, verifica-se que os dez mandamentos e os outros preceitos da lei constituem uma unidade do velho concerto, abolido por Cristo (2 Co 3.14). O Novo Testamento (concerto), trazido por Cristo, é superior ao de Moisés (Jo 14.15; 1 Jo 2.3,10; 3.22-24; 4.21; 5.1-3; 01 6.2). Os mandamentos de Cristo não são só dez. São todo o NT.
OS DEZ MANDAMENTOS (Êx 20.1-17).
Os quatro primeiros referem-se aos deveres do homem para com Deus. Os outros seis, incluem os deveres do homem para com os seus semelhantes.
1º = “Não terás outros deuses diante de mim” (v.3). Refere-se ao único Deus. Nenhuma adoração a santos, anjos ou a outra criatura ou objeto é permitido pelo Senhor.
2º. “Não farás para ti Imagem de escultura”; ”não te encurvarás a elas nem as servirás” (v.4-6). Lembra que Deus é Espírito e não admite ser adorado por meio de imagem de homem ou de qualquer criatura. 3º. “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (v.7).Evidencia a santidade de Deus, não sendo permitido o uso de seu nome de modo vão, desrespeitoso ou frívolo.
4º., “Lembra-te do dia do sábado para o santificar” (v.8). Lembra que Deus é o Senhor, criador de todas as coisas; lembra a sua soberania sobre a criação. A palavra sábado, em heb. shabbath, do verbo sabath, significa “cessar” ou “descansar” de trabalhar. Para os judeus, era um concerto perpétuo (Êx 31.12-18).
5º., “Honra a teu pai e a tua mãe” (v.12). Impõe o respeito à autoridade paterna, como símbolo do respeito à autoridade de Deus. É o primeiro mandamento com promessa (Ef 6.2,3).
6º. “Não matarás” (v.13). Defende a preservação da vida como dom de Deus, proibindo o homicídio. No tempo de Moisés, era permitida a,pena de morte pela autoridade judicial (Ex 21.12-15).
7º. “Não adulterarás” (v.14). Refere-se à santidade e pureza do casamento. O Senhor Jesus, no Novo Contesto, trouxe nova maneira de aplicar esse mandamento, tornando-o mais abrangente (Mt 5.28).
8º. “Não furtarás” (v.15). Valoriza o respeito à propriedade dos bens alheios. Há muitas maneiras de desrespeitar esse mandamento. Não é só pela apropriação indevida de coisa materiais; não pagar o salário condignamente, é furtar o direito do trabalhador.
9º. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (v.16). Uma pessoa pode prejudicar a boa reputação de alguém, mediante uma calúnia. O Código Penal é severo, quando dispõe sobre os crimes de calúnias, injúria ou difamação. É interessante notar-se que, em muitas igrejas, alguém é excluído por causa do adultério (7 mandamento), mas ninguém é excluído por causa dos pecados contra os mandamento. Isso é praticar dois pesos e duas medidas, é juízo contrário a Palavra de Deus.
10′. “Não cobiçarás…” (v.17). Cobiçar é atitude mental, interior, apenas sentida pelo pecador. Deus não quer santidade apenas no exterior. Ele quer a santidade do corpo, da alma e do espírito. O último mandamento proibe cobiçar a casa do próximo, sua mulher, seu servo ou serva, seu boi ou jumento, etc. Esse mandamento é tão importante quanto os outros, pois o pecado, antes de ser praticado, começa na mente, no desejo interior (Tg 1.14,15). No Velho Testamento, o Decálogo é o princípio básico do Velho Concerto. No Novo Testamento, o Sermão da Montanha (Mt 5.6 e 7), proferido por Cristo, é mais abrangente, pois inclui todos os princípios do Decálogo, em conformidade com a vida cristã, expressando no N. Testamento. Jesus resumiu toda a lei em dois mandamentos: Amar a Deus e amar ao próximo (Mt 22.37-40; Rm 13.8-10).
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
Lições bíblicas CPAD 1991

ESTUDO COMPLEMENTAR OS DEZ MANDAMENTOS, 20.1-17
Deus falou (1) com o povo do monte em chamas. O texto em Deuteronômio declara nitidamente que Deus “no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz” (Dt 5.22) deu estes mandamentos para a assembléia. Não sabemos como Deus falou em voz audível, mas Israel entendia que a voz que ouviam era de Deus. Esta era “uma voz audível e terrível, a voz de Jeová, soando como trombeta pela multidão (19.16; 20.18)”.’ Este modo de descrever o evento não indica que Deus tenha cordas vocais como o homem, mas assevera que Deus criou um som audível que, de forma inteligível, enunciava suas palavras para o homem. Depois que ouviram aquela voz, preferiram que Moisés (19) lhes falasse.
E importante saber que era o SENHOR, teu Deus (2), que estava falando. Nos dias de hoje, quando se fala em “nova moralidade” e quando há teólogos que anunciam que “Deus está morto”, precisamos saber onde está a autoridade divina. Estas palavras foram ditas por Deus ao povo como normas orientadoras para toda a humanidade. Não basta afirmar que são pertinentes apenas para a época em que foram dadas. “Deus queria que os israelitas entendessem claramente que fora Ele mesmo que lhes dera os mandamentos.”
Além disso, as pessoas ouviram todas estas palavras (1). No original hebraico, os Dez Mandamentos são chamados “dez palavras” (34.28; Dt 4.13; 10.4; daí o título Decálogo, lit., “dez palavras”). Estes dizeres não foram copiados do Egito ou de outras nações, como alguns suspeitam. “As declarações do monte Sinai são nobres e inteiramente diferentes de qualquer coisa encontrada em todo o conjunto da literatura egípcia.”
Deus deu estas palavras não como meio de salvação, porque este povo já estava salvo do Egito, mas como norma de conduta. Levando em conta que a obediência era uma cláusula para a continuação do concerto (19.5), estas palavras se tornaram a base de perseverança na qualidade de povo de Deus. Paulo deixou claro que a observância da lei não é meio de salvação pessoal, pois a justificação é pela fé em Cristo (Gl 2.16). A lei conduz a Cristo, mas não salva (Gl 3.24). “Se não é verdade que podemos cumprir a lei para ganhar o céu, é igualmente falso que podemos quebrá-la sem sermos punidos ou sentirmos remorso.”7 Deduzimos que esta lei moral foi dada como fundamento providencial para a fé do povo de Deus. Quem o ama observa sua lei.
Dividir a lei em lei moral, lei cerimonial e lei civil é, por um lado, útil, e, por outro, enganoso. Lógico que a lei moral do Decálogo é básica e expressa a responsabilidade de todos os homens. Mas as outras leis dadas a Israel também eram igualmente obrigatórias.
As leis de Deus eram demonstração de sua justiça por meio de símbolos e forneciam uma disciplina pela qual os israelitas poderiam ser conformados à santidade de Deus. As leis sociais e cerimoniais mudam, mas as relações fundamentais entre Deus e o homem, e entre os homens, conforme exaradas no Decálogo, são eternas.
A divisão dos Dez Mandamentos é entendida de modos variados. Seguindo Agostinho, a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Luterana consideram os versículos 2 a 6 o primeiro mandamento e dividem o versículo 17, que trata da cobiça, em dois mandamentos. O judaísmo hodierno reputa que o versículo 2 ordena a crença em Deus e é a primeira palavra; e combina os versículos 3 a 6 na segunda. A divisão aceita nos primórdios da igreja torna o versículo 3 o primeiro mandamento e os versículos 4 a 6 o segundo. Esta posição foi “apoiada por unanimidade pela igreja primitiva, e é mantida hoje pela Igreja Ortodoxa Oriental e pela maioria das igrejas protestantes”.
Os primeiros quatro mandamentos compõem a primeira tábua do Decálogo e mostram a relação apropriada do homem com Deus. Têm seu cumprimento no primeiro grande mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37). Os últimos seis mandamentos lidam com as relações humanas e cumprem-se no amor ao próximo como a si mesmo.
1. O Primeiro Mandamento: Não Ter Outros Deuses (20.3)
O versículo 2 é a introdução do primeiro mandamento. Deus identifica quem tirou os filhos de Israel da servidão egípcia: O SENHOR. Visto que ele os libertara e provara que era supremo, eles tinham de torná-lo seu Deus. Não havia lugar para competidores. Todos os outros deuses eram falsos.
Diante de mim (3) significa “lado a lado comigo ou além de mim”.2° Deus não esperava que Israel o abandonasse; Ele sabia que o perigo estava na tendência de prestar submissão igual a outros deuses. Este mandamento destaca o monoteísmo do judaísmo e do cristianismo.
“O primeiro mandamento proibe todo tipo de idolatria mental e todo afeto imoderado a coisas terrenas e que podem ser percebidas com os sentidos.” Não existe verdadeira felicidade sem Deus, porque Ele é a Fonte de toda a alegria. Quem busca alegria em outros lugares quebra o primeiro mandamento e acaba na penúria e em meio a acontecimentos trágicos.
2. O Segundo Mandamento: Não Fazer Imagens (20.4-6)
“Como o primeiro mandamento afirma a unidade de Deus e é um protesto contra o politeísmo, assim o segundo afirma sua espiritualidade e é um protesto contra a idolatria e o materialismo.”
Embora certas formas de idolatria não sejam materiais - por exemplo, a avareza (Cl 3.5) ou a sensualidade (Fp 3.19)-, o segundo mandamento condena primariamente a fabricação de imagens (4) na função de objetos de adoração. Este tipo de idolatria sempre existiu entre os povos pagãos mais simplórios do mundo. A história de Israel comprova que esta tentação é traiçoeira.
Estas imagens pagãs eram feitas na forma de coisas vistas no céu, na terra e nas águas. Estas imagens não deveriam se tornar objetos de adoração: Não te encurvarás a elas (5). Os versículos 4 e 5 devem ser considerados juntos. Não há condenação para a confecção de imagens, contanto que não se tornem objetos de veneração. No Tabernáculo (25.31-34) e no primeiro Templo (1 Rs 6.18,29) havia obras esculpidas. A idolatria consiste em transformar uma imagem em objeto de adoração e atribuir a ela poderes do deus que representa. Se considerarmos que gravuras ou imagens de pessoas possuam poderes divinos e que sejam adorados, então elas se tornam ídolos.
Deus apresentou os motivos para esta proibição. Ele é Deus zeloso, no sentido de que não permite que o respeito e a reverência devidos a Ele sejam dados a outrem. Deus não regateia o sucesso ou a felicidade para as pessoas, como faziam os deuses gregos. E para o bem dos filhos de Deus que eles devem consagrar e reverenciar o nome divino.
Deus pune a desobediência (5) e recompensa a obediência (6). Muitos questionam o julgamento nos filhos de pais ofensores, mas tais julgamentos são temporários (ver Ez 18. 14-17) e aplicam-se às conseqüências, como, por exemplo, doenças, que naturalmente seguem as más ações. O medo de prejudicar os filhos deveria exercer coibição salutar na conduta dos pais. As perdas que os filhos sofrem por causa da desobediência parental podem levar os pais ao arrependimento. Na pior das hipóteses, a pena vai até à terceira e quarta geração, ao passo que a misericórdia é mostrada a mil gerações quando há amor e obediência.
3. O Terceiro Mandamento: Não Tomar o Nome de Deus em Vão (20.7)
Tomar o nome do SENHOR, teu Deus, em vão é “recorrer ao irrealismo, ou seja, servir-se do nome de Deus para apelar ao que não é expressão do caráter divino”.24 Tal uso profano do nome de Deus ocorre no perjúrio, na prática da magia e na invocação dos mortos. A proibição é contra o falso juramento e também inclui juramentos levianos e a blasfêmia tão comum em nossos dias. “Este mandamento não obsta o uso do nome de Deus em juramentos verdadeiros e solenes.”
Deus odeia a desonestidade, e é pecado sério alguém usar o nome divino para encobrir um coração mau, ou para se fazer melhor do que se é. A pessoa que procura disfarçar uma vida pecaminosa, ao mesmo tempo em que professa o nome de Cristo, quebra este terceiro mandamento.
Tais indivíduos são culpados diante de Deus (7) e só recebem misericórdia depois de se arrependerem. Os justos veneram o nome de Deus por ser santo e sagrado.
4. O Quarto Mandamento: Santificar o Sábado (20.8-11)
O uso do verbo lembra-te (8) insinua que é fácil negligenciar o dia santo de Deus. Tinha de ser mantido em ininterrupta consciência e santificado, ou seja, “retirado do emprego comum e dedicado a Deus” (ATA). Todo o trabalho comum seria feito em seis dias (9), ao passo que o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus (10). Era um dia dedicado, separado, a ser dado inteiramente a Deus.
Ninguém deveria trabalhar neste sétimo dia. O senhor não deveria fazer seus servos trabalharem. Até os animais tinham de descansar do trabalho cotidiano. Havia proibições específicas, como a ordem de não colher maná (16.26), não acender fogo (35.3), não apanhar lenha (Nm 15.32-36). Embora o foco seja negativo, a lei permitia o trabalho necessário, como o trabalho de sacerdotes e levitas no Templo, o atendimento a doentes e o salvamento de animais (cf. Mt 12.5,11).
A razão para observar o sábado é que Deus fez a terra em seis dias e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou (11).
As Escrituras não fazem uma lista de coisas que se deve fazer no sábado. A inferência inequívoca é que o dia é de descanso e adoração. As ocupações seculares e materialistas devem ser substituídas por atividades espirituais. Cristo condenou o legalismo que deu ao dia a forma severa e insensível, embora não tenha anulado a sacralidade do dia. Foi ordenado para o bem do homem (Mc 2.23-28).
A observância do dia do Senhor (domingo) como o sábado cristão preserva o princípio moral que há neste mandamento. A mudança do sábado judaico para o sábado cristão foi feita gradualmente sem perder necessariamente o propósito de Deus para este dia santo. Notamos que os versículos 9 e 10 não especificam o sábado nem “o sétimo dia da semana” como o dia do descanso sabático. A letra do mandamento é cumprida pela observação do dia seguinte aos seis dias de trabalho, como faz o cristão.
5. O Quinto Mandamento: Honrar os Pais (20.12)
Honra a teu pai è a tua mãe é o primeiro mandamento em relação aos homens e rege o primeiro relacionamento que a pessoa tem com outrem: a relação dos filhos com os pais.Este mandamento é tão básico que é amplamente universal. A maioria das sociedades reconhece a importância de filhos obedientes. A melhor exegese deste versículo é a exortação de Paulo encontrada em Efésios 6.1-3, onde ele destaca as responsabilidades de pais e filhos.Com este mandamento ocorre uma promessa. Quem honra os pais tem a garantia de vida longa. O propósito desta promessa visava a nação em sua permanência na Palestina e o indivíduo que obedece. A promessa ainda vigora: a nação cujos filhos são obedientes permanece sob a bênção de Deus, e os indivíduos obedientes aos pais têm a promessa de vida mais longa. Haverá exceções a esta regra, mas aqui destacamos sua aplicação geral.
6. O Sexto Mandamento: Não Matar (20.13)
A vida é a possessão humana mais estimada e é errado privar alguém da vida sem justa causa. A história de Israel mostra que este mandamento não é absoluto. Houve a adição de outras cláusulas, como o homicídio desculpável (21.13), o homicídio acidental (Nm 35.23) e o homicídio justificável (22.2). Israel também foi autorizado a matar os inimigos. Não há exegese racional que condene a pena de morte ou a guerra simplesmente com base neste mandamento. Jesus esclareceu seu significado quando o citou: “Não matarás” (Mt 19.18).
Não há justificativa para a instigação de motins e rebeliões desnecessárias ou outras condições semelhantes que levem ao derramamento de sangue. Há responsabilidade evidente pelo cuidado adequado em viagens, projetos construtivos e jogos esportivos onde haja perigo. Esforços individuais e comunitários são necessários para a preservação da vida humana. Mas este mandamento não requer nem justifica o prolongamento da vida por meio de remédios e equipamentos auxiliares quando a esperança pela vida normal se extingue.
7. O Sétimo Mandamento: Não Adulterar (20.14)
A pureza sexual é o princípio subjacente neste mandamento. Adultério constituiu-se em relações sexuais ilícitas feitas por alguém casado. Tratava-se de pecado contra a família. Mas este mandamento é aplicável a todos os tipos de imoralidade sexual. A concepção em vigor atualmente que afirma haver exceções a esta regra não tem justificativa. Jesus deixou claro que o adultério está no coração e ocorre antes do ato (Mt 5.28). Este mandamento condena todas as relações sexuais que acontecem fora do laço matrimonial. Também infere a proibição de atos que precedem e conduzem ao ato sexual.
8. O Oitavo Mandamento: Não Furtar (20.15) -
Este mandamento regula o direito da propriedade particular. E errado tomar de outro o que é legalmente dele. Constitui roubo quando a pessoa se apossa do que legalmente pertence a uma empresa ou instituição. Não há justificativa para a “apropriação” mesmo quando a pessoa sente que o produto lhe é devido.
Este mandamento é quebrado quando a pessoa intencionalmente preenche a declaração do Imposto de Renda com informações falsas, desta forma retendo tributos devidos ao governo. Esta prática é imprópria mesmo que o cidadão desaprove o governo.
Também passa a ser roubo o ato de tirar vantagens de outrem na venda de propriedades ou produtos, ou na administração de transações comerciais. E impróprio pagar salários mais baixos do que devem receber por direito. O amor do dinheiro é o pecado básico condenado por este mandamento. A obediência é perfeita somente com um coração puro.
9. O Nono Mandamento: Não Dar Falso Testemunho (20.16)
Enquanto que o roubo nos priva da propriedade, a conduta da falsa testemunha nos rouba da boa reputação. Seja no tribunal ou em outro lugar, nossa palavra sempre deve ser verdadeira. Não devemos divulgar um relato até que verifiquemos sua veracidade. A repetição da fofoca é imoral; antes de falar devemos averiguar a correção do que dizemos. Há ocasiões em que mesmo a informação verdadeira não deve ser propagada; não temos a obrigação de anunciar a todos o que sabemos que é a verdade. Mas quando falarmos, até onde sabemos, sempre devemos dizer a verdade.
10. O Décimo Mandamento: Não Cobiçar (20.17)
Este último mandamento está por baixo dos quatro precedentes, visto que atinge o propósito do coração. Matar, adulterar, roubar e mentir são resultados de desejos errados que inflamam nosso ser. E singular que a lei hebraica inclua este desafio ao nosso pensamento e intenção. “Os antigos moralistas não reconheciam esta condição” e não condenavam os desejos maus. Mas é no coração onde se inicia toda a rebelião, e este mandamento revela o aspecto interior de todos os mandamentos de Deus.
Paulo reconheceu este aspecto interior da lei quando se conscientizou de sua condição pecaminosa (Rm 7.7). Muitas pessoas são absolvidas de crimes com base em atos exteriores, mas são condenadas quando levam em conta os pensamentos interiores. Estes desejos cobiçosos são, por exemplo, pela propriedade ou pela mulher pertencente ao próximo (17). Tais desejos criminosos precisam ser purgados pelo Espírito de Deus; só assim viveremos em obediência perfeita à santa lei de Deus.
O MEDO DO Povo, 20.18-20
Os israelitas estavam perto de uma montanha em chamas e ouviram a voz do Deus Todo-Poderoso. Que experiência tremenda! Quando viram esse cenário, afastaram-se e se puseram de longe (18). O medo tomou conta deles. Pediram a Moisés que lhes servisse de intermediário, dizendo:
Fala tu conosco, e ouviremos; e não fale Deus conosco, para que não morramos (19). Nestas circunstâncias, sentiram que não estavam tão preparados para questionar a posição de Moisés como profeta de Deus como antes estiveram (17.1-4).
Moisés lhes deu uma palavra tranqüilizadora. Não havia necessidade de temerem excessivamente, pois Deus veio para provar-vos (20), ou seja, “testar se vós respeitareis seus mandamentos”. Não precisavam ter medo dos relâmpagos, mas deviam ter um temor santo para que não pecassem contra Deus. Os filhos de Deus não precisam ter medo das providências divinas, mas é essencial possuírem um temor piedoso que os leve à reverência e obediência.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
Comentário Bíblico Beaco

A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai


TEXTO ÁUREO = “Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” ( l Co 10.11).
VERDADE PRÁTICA = Os erros e pecados de Israel servem- nos de alerta para que não venhamos a cometer os mesmos enganos.
LEITURA BIBLICA = Êxodo 19: 1-6 = Números 11: 1-3
INTRODUÇÃO
Muitas coisas na história de Israel são chocantes. Quão rapidamente a descrença surge após os atos poderosos de Deus. Eles caminharam em terra seca através do Mar Vermelho enquanto Deus destruía o exército Egípcio. Três dias depois o louvor se tornou em murmuração. Isso exemplifica bem a natureza humana!
A LIDERANÇA DE MOISÉS
Israel louvou a Deus no Mar Vermelho e sem dúvida ainda recolheu o espólio dos Egípcios afogados (Êxodo 14:30-31). Com essa feliz disposição de espírito Moisés os conduziu para viajar. Durante três dias eles caminharam através do deserto seco e árido. Podemos notar a mudança de humor deles quando o cansaço e a irritação chegaram.
ISRAEL CHEGA A MARA
Finalmente Israel chegou a um lugar onde havia água. O humor deles melhorou ao pensarem em quanto se refrescariam. Seus temores quanto a segurança de suas família e rebanhos acabaram. De repente, no entanto, a esperança se esvaiu. As águas eram amargas. Eles ataquem Moisés com espírito de murmuração.Vamos considerar algumas lições deste episódio:
Deus com freqüência nos guie à situações que provam a nossa fé. As provações não eram um sinal de que Deus os abandonou ou que Moisés estivesse errado.
A resposta apropriada para a os problemas e necessidades é a oração, não a murmuração. A primeira menção de murmuração nas Escrituras é encontrada no versículo 24. A murmuração reflete sempre uma atitude de pecado e rebelião. A atitude de Moisés em clamar a Deus em tempos de necessidade é muito melhor (Filipenses 4:6-7).
Os estudantes da Bíblia vêem na árvore mencionada no versículo 25 um tipo da cruz de Cristo. Os filhos de Deus, como os outros, sofram muitas vezes com as providências desanimadoras e dolorosas. Entretanto, nossas águas amargas são adocicadas pelo conhecimento de que Deus trabalha para que todas as coisas contribuam para o nosso bem (Romanos 8:28, Tiago 1:2-4).
É a cruz do Calvário que torna possível esta providência especial (Gálatas 3:13, I Pedro 2:24). Deus nos abençoa em Cristo (Efésios 1:3, Romanos 8:32). Como Noemi, cujo nome significa “agradável” nós muitas vezes pensamos que a amargura será o destino de nossas vidas (Rute 1:19-22). Como Noemi, nós devemos aprender que nuvens carregadas de problemas, com freqüência derramam chuvas de misericórdia.
A VIAGEM PARA O MONTE SINAI
 Em Mara e em Elim (15.22-27)
Os israelitas andaram três dias no deserto (a leste do mar Vermelho) e não acharam água (22). A fé do povo precisava de mais provas. Uma grande vitória como a travessia do mar Vermelho proporcionou uma visão maravilhosa da onipotência de Deus; mas não treinou a fé para os problemas cotidianos. A necessidade diária de comida e bebida prova a fé do povo mais que os obstáculos maiores. Mas Deus estava treinando seu povo em todos os aspectos da vida, por isso os levou às águas amargas de Mara (23; ver Mapa 3). Imagine a comovente decepção de pessoas sedentas encontrando água e verificando que era impotável.
Viajantes nesta região do deserto de Sur (ou de Etã, Nm 33.8) confirmam que as fontes são extremamente amargas, que o lugar é “destituído de árvores, água e, exceto no começo de primavera, pastagens”.
O povo murmurou contra Moisés (24). A liderança é cara, porque a culpa pela adversidade recai nos líderes. Estas pessoas sabiam que Moisés era homem de Deus; por isso, o pecado também era contra Deus. Grandes experiências com Deus não curam necessariamente o coração mau e queixoso. A murmuração cessa apenas quando crucificamos o eu e entronizamos Cristo somente (Ef 4.31,32).
A única coisa que Moisés poderia fazer era clamar ao SENHOR (25). Não há dúvida de que Deus teria fornecido água potável em resposta à fé paciente de Israel, se tivessem permanecido firmes. O Senhor às vezes satisfaz nossos caprichos em detrimento da fé. Aqui, as águas se tornaram doces, quando Moisés lançou um lenho nelas, mas a fé de Israel continuou fraca. Desconhecemos método natural que explique este milagre.
Deus usou esta ocasião para ensinar uma lição a Israel, dando-lhes estatutos e uma ordenação (25). Se as pessoas ouvissem a Deus e obedecessem inteiramente à sua palavra, elas seriam curadas de todas as enfermidades que Deus tinha posto sobre o Egito (26).
Assim como Deus curou as águas amargas de Mara, assim Ele curaria Israel satisfazendo-lhes as necessidades físicas e, mais importante que tudo, curando o povo de sua natureza corrompida. Deus queria tirar o espírito de murmuração do meio do povo e lhe dar uma fé forte.
Nem todas as experiências da vida são amargas. O próximo acampamento de Israel foi em Elim, oásis com doze fontes de água (uma para cada tribo) e setenta palmeiras (27). Tivesse Israel suportado a amargura das águas de Mara, logo estaria festejando em Elim. A pouca paciência de muitos crentes embota o fio aguçado da vitória alegre quando esta ocorre. Elim era um lugar bonito para acampar, mas não era o destino dos israelitas.
O Maná e as Codornizes (16.1-36)
a) Outra murmuração de Israel (16.1-3). Israel deveria ter aceitado os “estatutos” de Deus e crido em sua “ordenação” (15.25). O fato de não terem agido assim resultou em mais reclamações. Tinham deixado para trás um deserto (Sur) e entrado em outro (Sim) a caminho do monte Sinai e já fazia um mês que viajavam (1). Pelo visto, o suprimento de comida estava diminuindo e não havia evidência externa de novas provisões. Deus permitiu que o problema surgisse como prova para a fé de Israel. Mas o povo murmurou contra Moisés e contra Arão (2), desejando ter morrido no Egito com os estômagos cheios em vez de morrer de fome no deserto (3). Parece que comiam bem no Egito, e agora as coisas estavam piores. Claro que o alimento é necessário para a vida física, mas Deus não esquecera do povo. Ele teria suprido as necessidades de maneira mais satisfatória se Israel tivesse permanecido pacientemente firme na fé.
b) A promessa de pão e carne (16.4-12). Não há que duvidar que o tempo todo Deus sabia como alimentaria os israelitas no deserto. Quando murmuraram, o Senhor revelou seu plano de fornecer pão dos céus (4) para colherem a porção para cada dia - “a ração para cada dia” (Smith-Goodspeed). Até no fornecimento de pão Deus faria uma prova: Queria ver se o povo andaria em sua lei ou não. No sexto dia, as pessoas achariam quantidade suficiente de pão para durar dois dias, em cumprimento da lei do sábado (5).
Deus queria que estes israelitas soubessem que aquele que os tirou do Egito ainda estava com eles. A tarde sabereis (6) e amanhã vereis (7). A glória mencionada no versículo 7 diz respeito à realização da mão de Deus no suprimento do pão, ao passo que a glória referida no versículo 10 era a manifestação especial de Deus na nuvem.
Moisés repreendeu os israelitas por murmurarem contra ele e Arão, pois nada significavam - era Deus quem os conduzia (7). Quando Deus lhes desse carne e pão para comer, eles saberiam que o Senhor ouvira as murmurações feitas contra ele (8).
De certo modo, fornecer comida desta maneira era uma repreensão. Deus não forneceu comida só porque reclamaram; Ele queria que soubessem que Ele era o Senhor e que não estava contra seus servos, mas contra quem murmurava.
Os filhos de Israel seriam humilhados diante de Deus. Arão os reuniu, dizendo:Chegai-vos para diante do SENHOR, porque ouviu as vossas murmurações (9). Quando se aproximaram e olharam para o deserto, de repente a glória do SENHOR apareceu na nuvem (10). “A prova inconfundível da presença de Deus na coluna de fogo autenticou as palavras de Moisés e preparou o povo para a glória mais encoberta do milagre que ocorreria.” A glória do Senhor deu a estes fracos seguidores de Deus a oportunidade de ver o mal dos seus corações quando contemplassem a fidelidade de Deus para com eles. Com a realização do milagre da carne e do pão, eles saberiam que o SENHOR era o seu Deus (12). Ele teve paciência com estes crentes fracos, cuja fé necessitava de crescimento; em outra época, depois de terem tempo para amadurecer (Nm 14. 11,12), eles foram punidos por causa da permanência na incredulidade.
c) Deus envia codornizes e pão (16.13-21). As codornizes, que subiram e cobriram o arraial (13), faziam seu trajeto habitual de migração “pelo mar Vermelho, em grande quantidade nesta época do ano, e cansadas pelo vôo longo, […] podiam ser capturadas facilmente perto do chão”.
Na manhã seguinte, houve um orvalho ao redor do acampamento (13). Quando o orvalho se secou, encontraram “uma coisa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra” (14, ARA). Quando viram, as pessoas perguntaram: Que é isto? (15). Moisés respondeu: Este é o pão que o SENHOR vos deu para comer. “O nome maná é proveniente da pergunta [Que é isto?], ou a semelhança no som tem relação com as duas palavras originais [man hu].” Há quem procure identificar o maná bíblico com as substâncias naturais encontradas nesta região. Embora semelhantes em certos aspectos, estas substâncias naturais não se ajustam à narrativa bíblica. Não surgem em grande quantidade, nem podem ser o principal alimento. Ocorrem somente durante curto período do ano. O maná da Bíblia:
1) Foi o principal alimento nutritivo para Israel por quarenta anos;2) Era fornecido em quantidades grandes;3) Ocorria ao longo do ano inteiro;4) Aparecia somente em seis dos sete dias da semana; e5) Criava bichos se fosse guardado por dois dias, exceto no sábado. Obviamente este maná era um milagre de Deus, sendo um tipo do Cristo que desceu do céu (Jo 6.32-40).
As instruções para colher o maná eram inequívocas. Cada família tinha de colher quantidade suficiente para o consumo de um dia: um gômer por cabeça (16), cerca de 1,3 litro, e segundo o número de pessoas da família.
Pelo milagre do aumento ou da diminuição de acordo com a necessidade vigente,46 não sobejava para quem colhesse muito, nem faltava para quem colhesse pouco (18).
Moisés foi claro em dizer que nada do maná deveria ser deixado para o dia seguinte (19). Alguns israelitas, que ainda precisavam aprender acerca da obediência explícita, guardaram uma provisão de maná até o dia seguinte, mas criou bichos e cheirava mal (20). Considerando que o maná guardado para o sábado não estragava (24), ficou evidente a desobediência dos ofensores, os quais foram punidos com a deterioração do alimento.
Neste episódio, a lição de Deus para Israel, como também para os cristãos, é que os crentes têm de depender de Deus dia após dia. A vida de Cristo no cristão é preservada a cada momento por sua permanência em Deus. A obediência diária e cuidadosa resulta em provisão regular; o descuido traz perturbação e julgamento. Israel aprendeu a colher o maná pela manhã, antes que o sol o derretesse (21); o alimento espiritual colhido de manhã cedo suporta o calor do dia.
ISRAEL  NO MONTE SINAI
Os israelitas chegaram ao lugar onde Deus queria fazer deles uma comunidade religiosa peculiarmente sua. Os meses “no monte Sinai realizaram duas coisas: 1) Israel recebeu a lei de Deus e instruções sobre o caminho de Deus; e 2) a multidão que saiu do Egito unificou-se no início de uma nação”.’ Este período é de grande importância para compreendermos a vontade de Deus revelada no cerne da lei.
As teorias críticas do século XIX, que negavam a existência do Tabernáculo e tornavam a maioria destas leis mero reflexo de costumes vigentes em séculos posteriores, foram amplamente abandonadas nos últimos anos. Hoje em dia, a maioria dos estudiosos admite que o âmago destas leis foi dado no monte Sinai por Moisés. Quem advoga que a lei é a revelação de Deus aceita que sua forma atual é substancialmente o teor recebido por Moisés. Mesmo quando os críticos negam esta idéia, não conseguem entrar em consenso sobre quais leis são mais recentes.
O CONCERTO PROPOSTO POR DEUS, 19.1-25
A Apresentação do Concerto no Monte Sinai (19.1-8)
No terceiro mês depois da saída do Egito, os filhos de Israel chegaram a deserto do Sinai. A tradição judaica afirma que o dia foi o Pentecostes e que a Festa de Pentecostes comemorava o recebimento da lei. Porém, a expressão hebraica no mesmo dia não é suficientemente específica para indicar um dia exato.
Quando os israelitas acamparam defronte do monte (2) Sinai, estabeleceram-se na ampla área que fica em frente à montanha. A maioria dos estudiosos identifica que o local é a atual Jebel Musa. A área diante da montanha era bastante espaçosa para acomodar grande número de pessoas e era bem provida de água.
Subiu Moisés a Deus (3), que manifestou sua presença no monte, conforme está indicado pelo fato de a nuvem (cf. 13.21) cobrir o monte. Enquanto Moisés subia, o SENHOR o chamou e lhe ordenou que desse uma mensagem para Israel. Disse Deus:
Eles viram o que fiz aos egípcios (4), e como foi mostrada misericórdia para os israelitas. O que Deus fizera estava notoriamente exposto a quem quisesse ver. Ele os carregara sobre asas de águias. Estas águias - “o abutre fusco (ou grifo), pássaro majestoso e enorme abundante na Palestina”,- carregavam seus filhotes em cima das asas até que soubessem voar. Deus tirara Israel do Egito com mão forte.
E Deus os trouxe para si. Eram escravos do Egito, onde pertenceram a Faraó. Pelo poder divino foram arrebatados do usurpador e levados ao seio de Deus. Agora lhe pertenciam de maneira inédita.
Deus estava pronto para colocar este povo numa relação de concerto (5) com Ele. Este concerto tinha a significação de vínculo ou acordo. Na prática social, havia dois tipos de concerto. Um era o acordo entre iguais, no qual dividiam-se privilégios e obrigações e cada parte perdia o direito próprio de agir independentemente, O outro era um concerto entre partes não iguais, como, por exemplo, entre um rei e seu povo. Neste tipo de concerto, a parte mais forte fazia uma promessa ou dava um presente “condicionado com certas exigências ou obrigações a serem satisfeitas pela parte mais fraca”. A liberdade da parte mais forte não era eliminada por semelhante concerto. Para Israel, no monte Sinai, o concerto foi “a promessa de Deus, já endossada pelo presente da libertação concedida”, de que Israel seria sua “possessão e instrumento especial”. O cumprimento da promessa dependia da fé e obediência de Israel.
Israel seria a propriedade peculiar (5) de Deus dentre todos os outros povos mas somente se o povo cumprisse as condições do concerto. “Ao mesmo tempo que reivindicava direito peculiar sobre Israel, Deus não queria se separar das outras nações, deixar de cuidar delas ou abandoná-las para que fizessem o que bem entendessem.” Na verdade, Israel deveria ser uma bênção para todas as outras nações.
Como povo de Deus, Israel seria para Deus um reino sacerdotal e povo santo (6). Em certo sentido, todo indivíduo era um sacerdote com acesso direto a Deus. Aqui temos o ensino do sacerdócio universal de todos os crentes (ver 1 Pe 2.5).
A santidade de Deus é a “causa originária da criação do povo santo. […] Jeová se mantém puro em sua personalidade, protege sua glória por sua pureza, sua universalidade por sua particularidade; portanto, é o Santo. E assim Ele cria para si mesmo um povo santo que, em sentido peculiar, existe para […] [ele] e se mantém indiferente das noções e formas de adoração que conflitam com as verdadeiras visões de sua personalidade”. O propósito de Deus na redenção era trazer o homem dos caminhos maus do pecado para a vida de santidade.
Chamou Moisés os anciãos do povo (7, os líderes das tribos e das famílias) e expôs diante deles todas estas palavras que Deus falara. Pelo visto, as pessoas ficaram profundamente comovidas e responderam: Tudo o que o SENHOR tem falado faremos (8). E fácil fazer promessas a Deus quando somos impulsionados por profundo sentimento religioso. Na maioria das vezes, não percebemos tudo que está envolvido no compromisso, mas as promessas podem ser sinceras e nos lembrarão da responsabilidade assumida. Se as pessoas tomarem decisões sem este temor religioso, seguirão o caminho da incredulidade.
Emoção religiosa não é coerção. Estas pessoas eram livres para aceitar ou rejeitar as propostas de Deus. O Senhor não força os homens a fazer um concerto com Ele, mas cria a atmosfera que possibilita a escolha favorável. Sem haver primeiro o trabalho de Deus o homem nunca reage favoravelmente.
A Santificação do Povo (19.9-15)
O povo precisava se aprontar para desfrutar a maior experiência da vida humana - ouvir a voz de Deus. O Senhor disse a Moisés três coisas: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa; o povo ouvirá, falando eu contigo; e te crerá eternamente (9). Alguns israelitas recusaram reconhecer Moisés como porta-voz de Deus; quando passavam por dificuldades, muitos em Israel hesitavam em confiar no servo de Deus. Apesar de tudo que Moisés dissera e fizera, os descrentes ainda afirmavam que era só a voz dele e que ele fazia mágicas. Mas agora estas pessoas “veriam” Deus na nuvem espessa e ouviriam a voz de Deus sem intermediários. Assim, Deus autenticaria as palavras de Moisés.
De muitas formas é mesmo impossível acreditar que as palavras que uma pessoa fala são as palavras de Deus até ouvirmos pessoalmente Deus nos falar sem rodeios. Pelo que entendemos, os israelitas ouviam um som que não era a voz de Moisés, através do qual eles reconheciam Deus falando com eles (20.1; ver Dt 4.11,12). Para a maioria dos cristãos, a voz de Deus é ouvida pela voz do Espírito Santo no coração (Rm 8.16). Quando sua voz é ouvida, então a palavra de Deus através do homem, audível ou escrita, torna-se meio de fé. Ainda vigora a promessa relativa às pessoas que crêem em Moisés eternamente, visto que cristãos e judeus consideram Moisés o porta-voz de Deus.
Para que Israel estivesse preparado para ouvir Deus diretamente, Moisés tinha de santificá-los hoje e amanhã (10). Esta santificação exterior, símbolo da pureza interior que só Deus dá (cf. comentários em 13.2), levaria dois dias inteiros. A limpeza externa abrangeria: 1) Lavar o corpo, 2) lavar as roupas e 3) abster-se de relações sexuais.1° Mesmo depois desta santificação, o povo tinha de ficar separado do monte por limites (12), ou cercas, para que nenhum homem ou animal tocasse o monte. Se tocasse, seria morto imediatamente. Se pessoa ou animal transpusesse a cerca, ninguém deveria tocar nessa pessoa ou nesse animal (13; cf. NTLH), pois fazer isso significaria toque direto no monte. Tal ofensor deveria ser morto a pedradas ou flechadas.
Todos estes regulamentos tinham a função de ensinar ao povo a necessidade de santidade, a qualidade impressionante de Deus, e a exigência de absoluta obediência a Deus. A desatenção era intolerável; até um animal inocente teria de morrer se o dono não o mantivesse afastado do monte. Deus desceria diante dos olhos (11) do povo, mas este não deveria presumir intimidade com Ele. O caminho ainda não estava aberto para as pessoas irem à presença de Deus com ousadia (Hb 4.16).
Embora no versículo 12 haja a proibição de subir o monte, algumas pessoas tinham a permissão de subir quando a buzina (13) soasse longamente. Pelo que deduzimos, as pessoas mencionadas no versículo 13 pertencem a um grupo especial; em outro momento, Moisés, os sacerdotes e os setenta anciãos (24.1,2) tiveram permissão de subir. Mesmo assim, deveriam subir depois de ouvirem a buzina. O versículo alude ao ajuntamento de pessoas quando Deus estava prestes a falar,’2 embora o original hebraico signifique mais que isso. O sentido dos versículos 16 e 17 favorece a opinião de que a buzina chamava Israel do acampamento para o pé do monte. Por isso, Moisés… santificou o povo (14; cf. comentários em 13.2).
Deus no Monte Sinai (19.16-25)
Com todas essas preparações e avisos, o povo estremeceu (16) quando Deus manifestou sua presença. Chegara o momento de verem Deus, assim os israelitas puseram? se ao pé do monte (17). A experiência tinha o propósito de criar um verdadeiro temor de Deus nas pessoas e prepará-las para respeitar a lei de Deus.
Além dos trovões e relâmpagos (16) e do sonido de buzina mui forte, a montanha estava em chamas; subia fumaça do fogo, como fumaça de um forno, e todo o monte tremia grandemente (18). Fumegava é melhor “estava coberto de fumaça” (NVI). Até Moisés tremeu de medo com a visão (Hb 12.21). Apesar de todo esse medo, com o clangor cada vez mais longo e forte da buzina, Moisés falava, e Deus lhe respondia em voz alta (19). A mesma voz que ele ouvira na sarça ardente agora falava do monte em som claro e apavorante que todos ouviam.
Chamou o SENHOR a Moisés (20) para subir ao monte, ação proibida para os outros, e Moisés subiu. Quase imediatamente, Deus mandou Moisés de volta para reforçar o aviso para o povo não traspassar os limites do monte santo (21). Os sacerdotes, que se chegam ao SENHOR (22), receberam uma mensagem especial. Quanto a santificar, ver os comentários no versículo 10 e em 13.2. Estas pessoas não eram os levitas, que ainda não tinham sido separados; eram provavelmente os primogênitos que exerciam funções sacerdotais (ver 24.5). Talvez conjeturaram que tinham tanto direito quanto Moisés de subir ao monte. Deus conhecia suas intenções, por isso ordenou que Moisés voltasse para evitar uma catástrofe. O SENHOR lançar-se sobre eles seria na forma de praga, ou com fogo ou morte direta, como no caso de Uzá (2 Sm 6.7,8).
Moisés, desconhecedor das possíveis intenções do povo, lembrou Deus que todas as precauções foram tomadas e que ninguém subiria involuntariamente o monte Sinai (23). Mas Deus sabia mais que Moisés; o servo do Senhor tinha de falar novamente para o povo que somente ele e Arão (24) poderiam subir. Aqui Deus está deixando claro que Ele escolhe quem quer, e que outros têm de permanecer em sua vontade. Também é importante discernir a voz de Deus e segui-la, mesmo quando achamos que não há perigo. Deus conhece os corações dos homens e as pessoas não. Quanto a santifica-o (23), ver comentários em 13.2. Moisés (25) obedeceu, evitando assim uma tragédia.
“A Santidade de Deus”, revelada no capítulo 19: 1) Requer santidade em quem se aproxima de Deus, 5,6,10,11; 2) Separa Deus de todas a suas criaturas, 12,13; 3) Manifesta a presença de Deus em majestade aterrorizante, 16-20; 4) Comunica-se com os pecadores, 7-9,21-25.
A IDOLATRIA DOS ISRAELITAS
Não se passou muito tempo. Menos de quarenta dias após o solene compromisso de guardar a lei do Senhor, os filhos de Israel, em pleno deserto, quebraram o pacto feito com Deus. Eles viram a poderosa mão divina, fazendo- os passar a pé enxuto pelo Mar Vermelho; viram as aves migratórias caírem sobre o arraial pela tarde, e, pela manhã, o pão do céu, o maná, enviado por Deus para saciar sua fome, bem como água em abundancia para saciar sua sede. Entretanto, pouco tempo depois, o povo estava a cometer um pecado abominável contra o seu Deus, encurvando-se diante de um ídolo, o bezerro de ouro. Esta é uma lição triste, de aspectos negativos. da qual, contudo, o Senhor pode proporcionar-nos ensinamentos de advertência para a nossa vida cristã.
A DEMOCRACIA PARA O PECADO (Êx 32.1-2).
O povo de Israel, ao sair do Egito, estava sob o governo de Deus, ou seja, a Teocracia. Moisés era o representante do Senhor, como líder humano, escolhido diretamente pelo “Eu Sou”.Contudo, quando Moisés subiu ao monte, para encontrar-se com Deus, a fim de receber dEle as tábuas da lei, demorou-se mais do que o povo imaginava. Em conseqüência, foi convocado um ajuntamento da multidão para falar com Arão, o lider-substituto. Acreditamos que alguns não concordaram com os objetivos da reunião. Entretanto, a maioria absoluta desejava expor suas idéias. Em lugar da Teocracia, ali estava um ensaio de Democracia, ou seja, o governo do povo, posto em ação. Este, sem dúvida, é o melhor governo humano que se conhece. Contudo, pode ser levado para o mal. Foi o que aconteceu.
1. Perderam a fé em Deus(v.1). O povo, ao invés de ir buscar ao Senhor, ante a demora de Moisés, preferiu ajuntar- se e ir falar com Arão, fazendo-lhe uma proposta maligna. Diz a Bíblia: “Vendo o povo que Moisés tardava”. Eles estavam agindo pela vista e não por fé. Se tivessem guardado a fé, não se apressariam. Alguém já disse: “a fé começa, onde termina a ansiedade; a ansiedade começa, onde termina a fé”.
2. A proposta pecaminosa (v. lb). O povo disse a Ano que ele, que estava no lugar de Moisés, deveria levantar-se e fazer deuses, que fossem diante deles, pois não sabiam o que teria acontecido ao homem que os tirou da terra do Egito.
Àquela altura, o povo não reconhecia mais que fora Deus Todo-Poderoso que o havia tirado do Egito, mas “este homem” era visto como o que fizera tal prodígio. Era a fé em decadência, a visão obscurecida pelo pecado, era o povo desnorteado, tão pouco tempo depois deverem grandes livramentos dos céus. Hoje, acontece coisa semelhante. Quando as lutas chegam pesadas, muitos crentes clamam ao Senhor e Ele os ouve. Dias depois, a bênção de Deus é esquecida, e, em, seu lugar, o coração se enche de sentimentos que não agradam ao Senhor.
3. O líder fraqueja (v.2). Arão, profeta de Deus, irmão de Moisés, participante da chamada divina, para a liderança do povo de Israel, agora, estava ouvindo do povo uma proposta totalmente contrária à lei, e em especial ao Decálogo. Sua atitude deveria ter sido a de buscar a orientação do Senhor. Orar, clamar a Deus. E certamente, ele teria tido a resposta correta para dar ao povo. Mas não o fez. Preferiu ser agradável ou temeu a rebelião.
a. Ardo concorda com o erro. Mandou arrancar os pendentes de ouro das orelhas das mulheres, dos jovens e das jovens. É interessante notar que toda essa quinquilharia ou bijuteria o povo adquiriu na escravidão do Egito. O povo obedeceu.Muito perigoso o espírito de rebelião contra Deus. O povo é capaz de se desfazer até de ouro, para realizar seus propósitos maus.
0 BEZERRO DE OURO (v.4-6).
Tomando as jóias de ouro do povo, Arão moldou o metal com um buril (instrumento de gravar em metal) e fez um bezerro de fundição. Ao que tudo indica, o ídolo não era de ouro maciço. Normalmente, era de madeira por, dentro, coberto de metal (Is 40.19,20). No Egito, Israel conhecia os falsos deuses, dentre os quais o boi Ápis, uma escultura do culto daquele país. Certamente, quando, pela falta de fé, sentiram-se sem seu líder, quiseram substituir oculto divino por um culto pagão.
Diante do bezerro de ouro, no outro dia, bem cedo, o povo ofereceu sacrificios e ofertas ao ídolo. Em seguida, assentaram-se a comer, a beber e, ao final, foram folgar. Nesse culto, segundo estudiosos do Velho Testamento, havia expansão da carne, da sensualidade e da concupiscência. É lamentável, mas em muitas igrejas ditas pentecostais, o culto está tomando um sentido carnal.
Não há mais glorificação a Deus. Quase não se ora de joelhos. As músicas não evocam ao Senhor, mas lembram ambientes mim- danos, pela letra e pelo ritmo. Isso só acontece, porém, porque os pastares, obreiros do Senhor, têm fraquejado, permitindo que o “fogo estranho” seja introduzido no lugar de adoração a Deus.
0 DESAGRADO DE DEUS (v.7-10).1. Deus viu o pecado do povo.
Enquanto Moisés não sabia o que estava acontecendo lá em baixo, pois sentia-se na gloriosa presença de Deus, o Senhor que tudo vê, estava a contemplar o quadro de pecado e desvio do povo e de Arão. Diante da desobediência, Deus considerou-se separado do povo, mas ainda o via como o povo de Moisés (v.7). Deus viu todos os detalhes: a confecção do bezerro, o sacrifício pagão e a festança carnal. Esse fato nos lembra que mesmo que o obreiro, õ pastor, o dirigente, não veja o que está acontecendo no meio do povo, nada passa desapercebido ao Senhor. Deus é um Deus que vê e ouve (Gn 16.13; 1 Sm 16.7; SI 33.13; Êx 2.24; Sl 4.3).
2. A ira de Deus contra o povo (v.9-14). O Senhor, após dizer que o povo havia se corrompido, acentuou que via a sua obstinação. Em seguida, como que pedindo a anuência de Moisés, disse: “Deixa-me, que o meu furor se acenda contra eles, e os consuma: e eu farei de ti uma grande nação” (v.l0).
3. A humildade e súplica de Moisés (v.11-13). A proposta do Senhor a Moisés era, sem dúvida, um teste difícil para sua personalidade. Todo o povo seria destruído, mas ele seria uma grande nação. Porém, com humildade e fidelidade, o grande líder passou no teste e, ao invés de buscar seus interesses pessoais, continuou a suplicar em favor do povo: “Ó Senhor, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tu tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão?” (v. 11). Moisés fez ver a Deus que os inimigos haveriam de zombar do Senhor.
Terminando a oração, ele lembra ao Senhor a promessa feita a Abraão, a Isaque e a Jacó, de lhes fazer uma nação tão numerosa quanto as estrelas do céu. Essa grandeza de espírito de Moisés, demonstrada em seu amor pelo povo, mesmo sabendo que o povo havia pecado, é o que falta em muitos líderes evangélicos, hoje. Alguns não se preocupam em prejudicar a igreja, desde que consigam vantagens pessoais à custa do cargo de pastor; São Paulo os chama de “obreiros fraudulentos” (2Co 11.13). São “falsificadores da palavra” (2 Co 2.17a).
4. Deus reconsiderou sua intenção (v. 14). Diante da súplica de Moisés, em favor do povo, abdicando do seu próprio engrandecimento, o Senhor “arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo”. Há pessoas que se confundem com essa afirmação, e indagam: “E Deus se arrepende?”. Em outras passagem, encontramos registros idênticos (Gn 6.6; 1 Sm 15.35; Am 7.3). A dificuldade aumenta, quando lemos em Nm 23.19, que “Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa…”. Acontece que o arrependimento de Deus é bem diferente do arrependimento do homem, O homem arrepende-se por causa de seus erros, de seus pecados e falhas; tem o sentido de remorso.
Quanto a Deus, não há, a rigor, o de que arrepender-se.  A expressão significa que Ele mudou de plano, ou, na sua soberania, reconsiderou sua decisão, sempre redundando em algo melhor.
O Pecado da Idolatria
Curiosamente, o primeiro mandamento de Deus no Sinai, a primeira ordenança do Decálogo, foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). Deus conhecia o coração do povo e sabia o quanto era propenso à idolatria, depois de anos vivendo no idólatra Egito.
As Sagradas Escrituras nos advertem, em 1 João 5.21, contra o pecado da idolatria: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!”. E o apóstolo Paulo adverte o mesmo à igreja em Corinto, citando como exemplo negativo justamente o pecado do povo de Israel no deserto (1 Co 10.14,18-21).
A idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia, porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o próprio Deus, o único que é digno de toda honra, toda glória, todo louvor e toda adoração. Entretanto, apesar de tão claro, este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. É triste dizer, mas está se tornando cada vez mais comum evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que, obviamente, não devem receber a nossa adoração.
Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra, barro ou metal. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida, quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter.
Uma coisa é gostar, admirar e respeitar; outra bastante diferente é “endeusar”, idolatrar. Logo, segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas. Não só a idolatria a pessoas tem feito muitos males na vida de muitos crentes. A idolatria a coisas também.
Qual foi a última vez que você gastou tempo com Deus em oração? Qual foi a última vez que abriu a Bíblia para estudá-la ou para lê-la devocionalmente para a sua edificação espiritual? Qual foi a última vez que você evangelizou alguém? Qual foi a última vez que dedicou tempo para ajudar as pessoas? Será que a maior parte do seu dia é dedicada a coisas que realmente valem a pena ou só a futilidades?
O apóstolo Paulo afirma em Colossenses 3.5: “Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, ao apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria”. Paulo se refere ao “apetite desordenado”, ou “afeição desordenada”, e chama a “avareza” claramente de “idolatria”. Avareza é apego às coisas materiais. Quando valorizamos mais os bens materiais do que o espiritual, estamos de cabeça para baixo espiritualmente. Estamos longe de Deus.
O profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria sutil no meio dos crentes. Disse ele, conforme registrado em 1 Samuel 15.23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, Ele também te rejeitou a ti…”.
Ora, o que significa a palavra “porfiar”? Ela quer dizer, segundo oDícion4rio Aurélio a Língua Portuguesa, “discutir com calor”, “insistir”, “teimar”, “competir” e “disputar”. Ou seja, insubordinação, disputa entre irmãos, espírito de competição dentro da igreja, teimosia, arrogância, contenda, tudo isso, afirma Samuel é pecado de idolatria. Você já parou para pensar nisso?
Paulo afirma que uma das características do Anticristo, e que é própria do espírito do Anticristo, é se levantar “contra tudo o que se chama Deus ou se adora” e querer “se [assentar] como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2.4). Não se engane: há muita gente que começa bem, mas acaba, infelizmente, perdendo a visão espiritual e, por isso, tem o seu coração cheio de altares. É gente que afirma que serve a um único Deus, mas possui um coração idólatra, repleto de “deuses”, quando também não adora a si mesmo.
O cristão não deve ser dominado ou escravizado por nada. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano de sua vida.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
BIBLIOGRAFIA
Lições bíblicas CPAD 1988
Comentário Bíblico Beacon

A Travessia do Mar Vermelho - Ev. Isaías de Jesus



TEXTO ÁUREO = “Se, pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36).
VERDADE PRÁTICA = A saída do povo de Israel do Egito para a liberdade da Terra Prometida é uma figura da caminhada para a Canaã Celeste.
TEXTO BÍBLICO  = Êx 13.17,19-20; 14.13-15,19,21,22,27,29-31
INTRODUÇÃO
A saída de Israel do Egito foi um fato histórico de repercussão extraordinária para todos os povos daquela época e de gerações futuras. O império egípcio foi dobrado diante do Senhor Deus de Israel. Ele permitiu que seu povo fosse oprimido por muito tempo, mas não para sempre. Caminhando sem bússola e sem mapa, o povo israelita jamais errou o caminho. Deus os guiava com sua mão poderosa e perfeita direção. As ameaças do inimigo, não foram suficientes para frustrar a marcha do povo liberto.Nesta lição, estudaremos o começo da caminhada dQ povo hebreu em direção à Terra Prometida.
0 CAMINHO MAIS LONGO (Êx 13.17,18)
Segundo os estudiosos do Êxodo, Deus não levou o povo israelita diretamente a Canaã, pelo caminho dos filisteus, porque, naquela rota, havia muitas fortificações de soldados egípcios. Seria o caminho mais curto. Entretanto, por ali, o povo poderia arrepender-se da caminhada, ‘vendo a guerra”, e tomar ao Egito. Olhando um mapa da Palestina àquele tempo, verifica-se que, antigamente, antes de haver o atual canal de Suez, havia passagem por terra, saindo do Egito para Canaã. O percurso duraria questão de poucos dias. Mas o povo, ao longo de tantos anos de vida pacata, na vida pastoril e depois, como escravo, não estava preparado psicológica e fisicamente para a guerra. Então, Deus, na sua sabedoria, fez o povo rodear pelo ‘caminho do deserto, perto do Mar Vermelho”. (SG e DF) O caminho era mais longo, mas era o escolhido por Deus. Muitas vezes, nós queremos que o Senhor nos conduza por caminhos mais curtos, quando enfrentamos lutas e dificuldades. Contudo, é melhor confiar no Senhor, aprendendo a conviver com as circunstâncias propiciadas por Ele, na sua infinita sabedoria e misericórdia.
O POVO ARMADO (Êx 13.18b).
O exército de Israel era formado por 600.000 homens armados, que caminhava à frente do povo (Nm 1.46). Não teriam eles condições de enfrentar o exército egípcio, indo pelo caminho mais curto? Certamente não, pois Deus não o permitiu. Ainda que eram o povo de Deus, precisavam estar armados. Mais adiante, acostumados ao deserto, enfrentaram tropas mais numerosas e foram vitoriosos.
Nos dias em que vivemos, o povo de Deus, a Igreja, precisa de manter-se muito bem armado, diante do inimigo avassalador, que é o Diabo. Em nossa caminhada, precisamos revestir-nos da ‘armadura de Deus” para vencê-lo Nesta armadura(Ef 6. 10-17), temos o cinto da verdade, a couraça da justiça, os sapatos do evangelho da paz, o escudo da fé. Moisés, para libertar o povo, não contou com o apoio dos políticos do Egito, mas com o poder de Deus. Atualmente, a política é atividade desgastada, ainda que importante. A Igreja do Senhor não pode confiar na homem para ser vitoriosa, mas nas armas poderosas para a destruição do inimigo (2 Co 10.4).
NADA FICOU NO EGITO
Faraó quis proibir que saíssem do Egito os meninos e as mulheres de Israel (Ex 10.7); depois, exigiu que ficasse o gado (Êx 10.24). Moisés, com determinação, afirmou que no Egito não ficaria “nenhuma unha”. Muito tempo antes, José, pela fé, pedira que, quando o povo fosse para Canaã, não deixasse os seus ossos no Egito (Gn 50.25; Hb 11.2). Esses fatos têm significados espirituais para os nossos dias. Quando o crente aceita a Jesus, e vem para a Igreja, o inimigo, o “Faraó moderno”, deseja que o mesmo mantenha comunhão com o mundo, fazendo concessões a respeito de interesses, comportamento e conduta. Há aqueles que vêm para a Igreja, mas o coração fica no mundo. E impossível servir a Deus assim. Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24).
A PARTIDA DO EGITO (Êx 13:20).
1.0 lugar. O povo partiu de Ramessés para Sucote (Êx 12.37), inicialmente. A segunda fase da marcha começou em Sucote, indo até Etã,, à entrada do deserto (Êx 13.20).
2. Deus Ia adiante do seu povo (Êx 13.21). Deus não desamparou o povo, nem o deixou sem direção divina. (SD) Indo à frente do Seu povo, o Senhor garantia a certeza de uma caminhada segura, sob sua proteção. Durante o dia, havia a coluna de nuvem, que guiava e, ao mesmo tempo, protegia do excesso de calor e dos raios solares prejudiciais à saúde do povo. Durante à noite havia uma coluna de fogo, que iluminava o caminho. Em todo o percurso, naquele imenso deserto, o Senhor os guiou em segurança (Dt 8.2; 32.2; Is 53.14; Jr 2.6). É muito importante que tenhamos a direção de Deus, ao iniciarmos qualquer empreitada. O Senhor nos ensina e nos guia (Is 48.17). O Espírito Santo foi-nos enviado para nos consolar e ensinar todas as coisas (Jo 14,.26).
3. A perseguição de Faraó (14.9). O povo já estava à entrada do deserto, quando Moisés recebeu ordem de Deus para voltar e acampar “diante de PiHirote, entre Migdol e ornar, diante de “Baal-Zefon” (Ex 14.2). Essa foi urna manobra determinada pelo Senhor, a fim de manifestar mais uma vez o Seu poder diante dos egípcios.
Com esse retomo, Faraó pensava que os israelitas estavam com medo de enfrentar o deserto, e resolveu persegui-los (Êx 14.5). Não sabia ele, que não passava de um mortal, manobrado pelo Senhor. A exemplo de Faraó, o Diabo procura perseguir aqueles que deixam o mundo, e resolvem caminhar para os céus com Jesus em suas vidas. Ameaças, opressões, críticas, zombarias e até violência, são algumas das armas usadas pelo inimigo para intimidar o servo de Deus, principalmente o novo convertido. Daí, porque é por demais indispensável que, em cada igreja, haja um trabalho de assistência e integração do novo convertido, a fim de que o mesmo se fortaleça, enfrentando os desafios do inimigo.
4. 0 desânimo do povo (Êx 14.10- 12). O povo, ao perceber a aproximação do exército de Faraó, com canos e cavalos, temeu e clamou ao Senhor. Essa foi uma atitude correta. Buscar o socorro do Senhor (v.10). Contudo, após isso, o povo desesperou-se e passou a murmurar contra Moisés, dizendo-lhe que prefeririam ter ficado no Egito, servindo aos egípcios. Ao que parece, eles não passaram na primeira grande prova de fé. A caminhada cristã assemelha-se à do povo de Israel. Uma das táticas do inimigo é a perseguição. Ela pode ocorrer no emprego, no lar, na vizinhança e, por incrível que pareça, até na igreja. Diante disso, há uma tendência de desânimo e muitos desejam voltar para o mundo, para a escravidão. Entretanto, Jesus disse que quem perseverar até o fim, será salvo (Mt 10.22).
5. A serenidade e a confiança de Moisés (Êx 14.13-14). Ante o temor e as murmuração do povo, o líder soube conduzir-se naquela ocasião difícil. Era uma multidão de milhares de pessoas amedrontadas, responsabilizando o homem de Deus pela situação crítica. Moisés passava pelo teste da liderança eficaz.
a. Manteve a calma. Diante do desespero do povo, Moisés demonstrou tranqüilidade. Essa é uma qualidade indispensável ao líder.
b. Palavra de encorajamento. ”Não temais, estai quietos…”. Cremos que essas palavras foram de grande valor para o ânimo do povo. Todos olhavam para Moisés, e ele, ao invés de se abalar, dava uma injeção de coragem a todos.
c. Palavra de Fé. ”Vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará”. “0 Senhor pelejará por vós e vos calareis”. Decerto, Moisés refletiu perante o povo tanta convicção em suas palavras, que o povo ficou a esperar o resultado de tanta fé. Que Deus nos ajude a termos líderes que inspirem confiança e fé nestes dias de tanto desânimo e descrença, como resultados de certos escândalos.
A PASSAGEM PELO MAR VERMELHO
O homem de Deus, que vira o Senhor operar tantas maravilhas no Egito, agora, via diante de si e do povo o maior obstáculo natural à viagem para Canaã.Momentos antes, pela fé, ele afirmara que Deus daria o livramento necessário. Ele não esperou para ver,mas creu antes de o fato acontecer, referindo-se, inclusive, à ruína do exército egípcio.
1. Obstáculo na caminhada. A multidão de cerca de 600.000 homens de guerra, mais suas famílias, compunha um total de aproximadamente três milhões de pessoas. Todos diante do Mar Vermelho, tendo, no seu encalço, o exército de Faraó. Era situação muito difícil. Na vida cristã há momentos em que parece não haver solução para os problemas. Mas todas as coisas contribuem para o bem dos que são chamados por Deus (Rm 8.28).
2. Deus manda Ir em frente (Êx 14.15-17). Diante da fé demonstrada por Moisés, o Senhor ordenou que o povo marchasse pelo mar em seco. Moisés levantou a vara e o mar abriu-se em duas partes, enquanto o povo caminhava a pé enxuto. Certos críticos dizem que foi um fenômeno natural; que, ali, havia uma parte rasa, um palmo d’água. Eles só não sabem explicar como o exército de Faraó afogou-se num palmo d’ág1a.
3. O anjo de Deus gula o povo (Ex 14.19). O anjo, que ia à frente, passou para irás, para defender o povo do ataque inimigo. A estratégia divina é desconcertante para o inimigo. O Senhor arvora sua bandeira pelo seu povo. (Is 59.19). A coluna de nuvem passou para trás, onde estava o perigo. Para Israel, a nuvem iluminava; para os egípcios, era escuridão (v.20). Durante toda a marcha, o chão estava seco, um muro de água à direita e à esquerda do povo. Isso nos fala da proteção total do nosso Deus. Seu anjo acampa-se e nos guarda (Sl 34.7).
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
Lições bíblicas CPAD 1991
ESTUDO COMPLEMENTAR
A Partida do Egito (12.37-42)
a) O número dos que se puseram em marcha (12.37-39). No dia seguinte à noite da morte dos primogênitos dos egípcios, partiram os filhos de Israel para Sucote (37). Não sabemos a localização certa deste lugar, embora fosse viagem curta de um dia de Ramessés para o leste em direção ao mar Vermelho (ver Mapa 3). Deve ter sido tarefa custosa levar este grande grupo a um ponto central; talvez tivessem feito um planejamento para quando o momento da vitória chegasse.
Muita controvérsia gira em torno da questão do número de israelitas que saiu do Egito. Os estudiosos liberais, pouco propensos a considerar providência milagrosa, recusam-se a aceitar um número alto como implica o montante de seiscentos mil homens. 15 Contestam a possibilidade de a população israelita aumentar tanto levando em conta o tempo decorrido e as condições adversas descritas. Também rejeitam a possibilidade de tantas pessoas sobreviverem no deserto. Existe a indicação de que a palavra hebraica que se refere a mil (elep) “possa ser traduzida por ‘clã’ ou ‘família’, como ocorre em outros lugares da Bíblia (e.g., Jz 6.15).16 Neste caso, o número total de 600 clãs seria bem menos.
Mas considerando a bênção especial de Deus, aceitamos que Israel crescera a uma população estimada de quase três milhões de pessoas. Sob o poder especial de Deus, as provisões no deserto teriam sido adequadas.
A mistura de gente (38) que partiu com Israel eram egípcios que se ligaram a Israel e sua religião; também eram escravos estrangeiros que, por esse meio, buscavam liberdade, e pessoas que tinham se casado com os hebreus. Mais tarde, essa gente se tornou tropeço para Israel (Nm 11.4). E interessante observar que Israel possuía ovelhas e vacas. Estes rebanhos já eram deles antes das pragas e foram protegidos da destruição (9.4). O registro bíblico não explica como os israelitas poderiam possuir tanto gado no Egito. Conjeturamos que as bênçãos de Deus estavam sobre Israel durante a escravidão. Chadwick sugere que pode ter havido uma revolta antes desta época, a qual concedeu certos privilégios para estes escravos no Egito.’8 Em todo caso, Deus lhes abas- tecera com grande multidão de gado.
A partida súbita do Egito pegou os israelitas até certo ponto desprevenidos, pois não haviam preparado comida (39) para a viagem. Só comeram bolos asmos. Este era o tipo de alimento que deveriam comer por sete dias durante a festa comemorativa (15).
b) A data da partida (12.40-42). O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos (40). O autor não especifica se toda essa estadia foi só no Egito, ou também incluía o tempo na Palestina. Paulo (Gl 3.17) dá a entender que a lei foi dada 430 anos depois de Abraão. Mas Estêvão (At 7.6) disse que Israel ficou na escravidão em terra estrangeira por 400 anos. O número redondo 400 concorda com o número que aparece em Gênesis 15.13, cuja passagem também indica que estes anos foram passados em aflição. E seguro presumir que o autor quis se referir aos anos passados na terra do Egito. Na realidade, o tempo foi datado no relógio de Deus com uma exatidão que comprovava a Palavra divina (41).
Que noite inesquecível! “Essa foi a noite em que o SENHOR ficou vigiando” (NTLH); manteve seus filhos sob observação cuidadosa (42). No futuro, todas as gerações de israelitas a celebrariam como “noite da vigília”. Para Israel, foi como o dia em que nasceram de novo; os cristãos o celebram como o dia feliz em que seus pecados foram lavados pelo sangue de Jesus!.
 A Lei da Páscoa (12.43-13.2)
Moisés recebeu mais instruções pertinentes à celebração da Festa da Páscoa: 1) O filho de estrangeiro não deveria comer a Páscoa (43); 2) estrangeiros e servos, depois de circuncidados, tornavam-se israelitas e poderiam comer a Páscoa (44,48); 3) deviam comer o cordeiro numa casa e nada dele poderia ser levado para fora da casa (46); 4) não podiam quebrar osso algum do cordeiro (46); 5) a mesma lei se aplicava ao natural e ao estrangeiro (49).
Os últimos três pontos enfatizam a unidade na comunhão. Não devia haver divisão na congregação de Israel - o cordeiro era um e o povo era um. Assim, em Cristo todos são um; as divisões não têm lugar em seu corpo (1 Co 1-3).
A resposta dos israelitas foi imediata (50). A recente vitória tornou seus corações obedientes. Quando Deus trabalha, a vitória é completa. Exércitos (51), melhor “turmas” (NVI) ou “tribos” (NTLH). Mas as bênçãos de Deus dadas a um povo trazem responsabilidades. Visto que o Senhor poupara homens e animais, agora estes deveriam ser consagrados a Ele (2). Deus pediu a estes homens que lhe dessem o que lhe era devido. O verbo santificar conforme é usado aqui e ao longo do Antigo Testamento tem o significado de “consagrar ou separar” para propriedade especial de Deus, tendo paralelo no significado do Novo Testamento que inclui pureza moral (Ef 5.25-27; Hb 9.13,14). Neste sentido mais amplo do Antigo Testamento, o termo santificar é usado para se referir a pessoas e coisas.
O Discurso de Moisés (13.3-16)
a) O dia da recordação (13.3-10), Moisés tinha de relatar ao povo as instruções que Deus lhe dera. Os versículos 3 a 7 repetem grande parte do que aparece em 12.14-20 (ver comentários ali). No versículo 5, Moisés nomeou cinco das sete nações cuja terra Israel herdaria. As outras duas eram os ferezeus e os girgaseus que provavelmente eram menos importantes (cf. CBB, vol. II).
A importância de lembrar este mesmo dia (3) devia ser passada para os filhos (8). O sinal sobre tua mão e a lembrança entre teus olhos (9) não seriam os escritos físicos ou “filactérios” (cf. Dt 6.48). O que devia ser lembrado era a festa e as palavras da boca que vêm do coração. Em certa medida, os objetos físicos ajudam a lembrar os atos graciosos de Deus, mas o meio mais eficaz de transmissão é a lei do SENHOR… em tua boca (9) o coração transbordante de louvor e testemunho passado para os filhos.
Deus sabe que os homens o esquecem com facilidade, por isso ordenou: Tu guardarás este estatuto a seu tempo [”no dia certo”, ARA] de ano em ano (10).
b) A consagração dos primogênitos (13.11-16). Outra lembrança constante era a entrega dos primogênitos a Deus (2,12) e as respostas às perguntas dos filhos (14) a respeito das cerimônias. Todos os primogênitos machos do gado pertenciam a Deus (12) e deveriam ser oferecidos em sacrificio ao SENHOR (15).
Tudo o que abre a madre (15) diz respeito a “todos os machos que abrem a madre” (ARA). O vocábulo tudo aqui deve ser considerado alusão a animais limpos. Os animais imundos, como os jumentos (13), tinham de ser resgatados pela substituição de um cordeiro ou cabrito. Se não fossem resgatados, os animais imundos deveriam ser mortos. O jumento é mencionado porque foi o único animal de carga levado do Egito.
Para os meninos havia um arranjo especial. Considerando que não podiam ser sacrificados como oferta, tinham de ser resgatados (15). Mais tarde, a obrigação do serviço a Deus foi transferida para os levitas, e o preço da substituição pelo primogênito macho foi fixado em cinco siclos (Nm 347). Este pagamento servia como reconhecimento do direito de Deus sobre os primogênitos.
A razão para esta exigência é clara. Deus tirou Israel do Egito matando os primogênitos (15) egípcios. Portanto, os israelitas deveriam contar a história repetida- mente a todos os filhos, sobretudo ao primogênito. Este ato redentor e sacrifical deveria ser uma lembrança - por sinal sobre tua mão e por frontais entre os teus olhos (16; ver comentários sobre o v. 9).
A Coluna de Nuvem e a Coluna de Fogo (13.17-22)
A rota direta e norte entre o Egito e a Palestina (ver Mapas 2 e 3) tinha aproximadamente 320 quilômetros e podia ser percorrida em cerca de duas semanas. Quando Deus tirou os israelitas do Egito, Ele os levou por um percurso mais longo a fim de evitar o encontro com os filisteus (17) bélicos. Os filhos de Israel não eram treinados para a batalha e a fé em Deus ainda era fraca. Eles poderiam se arrepender quando vissem a guerra e voltar para o Egito. O Senhor conhecia a força limitada do seu povo e o protegeu de tentações inadequadas (ver 1 Co 10.13). Por vezes, os caminhos de Deus não são os mais simples e diretos. Ele guiou Israel pelo caminho do deserto perto do mar Vermelho (18; ver comentários sobre o mar Vermelho em 14.2).
A palavra armados (18), embora termo militar no original hebraico, deve ser referência à maneira organizada da marcha. Moffatt diz: “Os israelitas saíram do Egito em formação metódica”. Esta organização pode ter sido planejada durante o período de disputa com Faraó.
Atendendo ao pedido de José quando estava morrendo (Gn 50.25), Moisés levou os ossos (19) deste patriarca. Pode-se afirmar que Moisés sabia de tudo sobre este antigo líder e que se fortaleceu na fé pela firme esperança que havia em José. No devido tempo, Israel enterrou respeitosamente os ossos de José na terra de Canaã (Js 24.32).
A próxima parada de Israel depois de Sucote foi Etã, à entrada do deserto (20; ver Mapa 3). A localização destes lugares é incerta, em grande parte por que não sabemos o ponto exato da travessia do mar Vermelho.
Mas onde quer que tenha sido o local, Deus era o Líder. Ele aparecia diante de Israel na forma de uma coluna de nuvem (21, provavelmente de fumaça) de dia, e uma coluna de fogo, à noite. A coluna ficou bastante tempo com Israel servindo de guia nas viagens. Simbolizava o Espírito Santo, um Fogo (Mt 3.11), que guia o cristão no andar cotidiano.
Vemos “A Luz Guia de Deus” nos versículos 17 a 22. 1) Conduz os filhos de Deus para longe dos caminhos de maior perigo, 17; 2) Leva, às vezes, por caminhos circulares passando por lugares indesejáveis, 18a; 3) Dirige de forma ordeira e obediente, 18b; 4) Lidera com provas incontestáveis de que Ele está com eles, 21,22.
A Travessia do Mar Vermelho (14.1-31)
a) Um lugar arriscado (14.1-4). Visto que o texto bíblico não anuncia o local preciso onde ocorreu a travessia, é melhor presumir que os filhos de Israel iniciaram a jornada da terra de Gósen (ver Mapa 3) rumo à fronteira do Egito, onde cruzaram para entrar no deserto. Em seguida, Deus lhes ordena que voltem (2; “retrocedam”, ARA) e acampem junto ao mar. Não há como definir se viraram para o norte, em direção ao lago Manzalé, ou para o sul, em direção aos lagos Amargos. O que está claro é que havia um volume de água diante deles como obstáculo ao cruzamento.
Faraó começou a reavaliar a libertação dos escravos. Talvez soube da jornada aparentemente a esmo, e supôs que estivessem embaraçados na terra (3) e que o deserto os encerrara. Para ele, o Deus dos israelitas, embora poderoso no Egito, era impotente no deserto. Pensou que estavam irremediavelmente perdidos. Lógico que Israel teria sido destruído se não fosse a intervenção do Deus Todo-poderoso. Por vezes, Ele nos coloca em situações de aperto para nos livrar e nos mostrar que Ele é o SENHOR (4).
b) A perseguição de Faraó (14.5-9). Irritados pela recente derrota e frustração causa- da pela perda de tantos trabalhadores (5), Faraó e seus servos (os conselheiros) mudaram de idéia. Pensando que Israel estava praticamente encurralado no deserto, o rei aprontou o seu carro e tomou consigo o seu povo (6; “exército”, NVI). Também tinha seiscentos carros escolhidos (7) e muitos outros que conseguira reunir sem demora (pensamento subentendido na expressão todos os carros). Com esta força militar humana, Faraó saiu apressadamente em perseguição dos israelitas. Seu coração duro ficou mais duro ainda, porque, para ele, estes escravos tinham saído com alta mão (8; “afoitamente”, ARA; “triunfantemente”, NVI). Contraste esta condição com o grande medo que logo sentiriam (10). Foi a toda velocidade ao local onde estavam acampados junto ao mar (9; ver Mapa 3). Pi-Hairote significa “lugar de juncos, no lado egípcio do mar Vermelho” (VBB, nota de rodapé).
c) O medo do povo (14.10-12). Vendo o exército de Faraó se aproximando, o coração dos israelitas se derreteu, levando-os a clamar ao SENHOR (10). Foi um clamor desesperado, porque viam nada mais que a morte diante de si; só restava repreender Moisés por tê-los tirado do Egito para morrerem no deserto (11). Para eles, a escravidão e a melhor que a morte, e Moisés deveria tê-los deixado em paz no Egito (12). Em termos de um slogan dos dias atuais, eles sentiam que seria melhor sofrer e estar vivo do que não sofrer e estar morto.
Estes israelitas, como tantos novos-convertidos, embora libertos da escravidão do trabalho forçado, ainda possuíam “um coração mau e infiel”. Estavam com muito medo e cheios de dúvida, logo esquecendo os atos poderosos de Deus feitos a seu favor. Tinham concordado com os líderes, mas agora, diante da iminente catástrofe, a falta de compromisso sério se revelou.
d) O propósito de Deus (14.13-18). Como é freqüente a fé fraquejar justamente quando Deus está pronto para fazer sua maior obra! Mas Deus tinha seu homem de fé. O texto não diz o quanto Moisés tremia por dentro, nem é perceptível que ele já soubesse o que Deus ia fazer. Mas os encontros que teve com Deus lhe deram a certeza de que Deus estava no controle. Não havia nada que as pessoas poderiam fazer, exceto aquietar os temores, ficar quietas e ver o livramento do SENHOR (13). Deus disse a Moisés (4) que ocorreria outra vitória, e ele creu na palavra de Deus. Ele pôde declarar: O SENHOR pelejará por vós, e vos calareis (14). “Tão-somente acalmem-se” (14b, NVI).
Não havia necessidade de mais clamores a Deus. Chegara o momento de marchar. Tratava-se de uma marcha de fé, pois diante deles só havia águas traiçoeiras; mas a ordem de Deus era clara: Marchem (15). Em nosso andar espiritual, chegamos a um ponto em que as orações medrosas cessam e o passo de fé deve ser dado.
Todas as vezes que os filhos de Israel temeram o desamparo de Deus, Ele estava trabalhando em seus propósitos. A barreira de água à frente deles se dividiria quando a mão de Moisés se estendesse com a vara (16). O coração duro de Faraó o levaria a se apoiar demasiadamente na bondade Deus e seguir Israel, mas o plano de Deus era destruir o exército egípcio para, assim, obter glória e honra para si (17). Seria tarde demais para Faraó e seus cavaleiros (18), mas o restante dos egípcios saberia quem é o SENHOR.
No versículo 15, observamos o desafio de Deus ao seu povo: “Marchem!” 1) A história os impulsionava para frente, 1.13,14; 2) O presente os empurrava para frente, 14.9,10; 3) O futuro os estimulava para frente, 3.8; 14.13,14 (G. B. Williamson).
e) A coluna de proteção (14.19,20). O Anjo de Deus (19), chamado “o anjo do SENHOR” em 3.2, que estava na frente de Israel, passou agora para trás do acampamento. O movimento invisível de Deus foi verificado no movimento visível da coluna da nuvem, que se retirou de diante dos israelitas e se pôs atrás deles. Esta coluna ficou entre os dois acampamentos, impedindo os egípcios de chegar perto de Israel toda a noite (20). A coluna trouxe escuridade para os egípcios, enquanto que Israel tinha luz no acampamento.
Vemos nos versículos 10 a 20, o processo de “Como Vencer o Medo”. 1) Ficamos amedrontados ao ver o poder de Satanás, 10; 2) Expressamos nossa angústia pelas providências de Deus, 11,12; 3) Sentimos alívio quando a palavra de Deus é dada com clareza, 13- 18; 4) Aquietamo-nos completamente quando a presença de Deus se manifesta, 19,20.
f) O caminho pelo mar (14.21-25). Naquela noite, quando Moisés estendeu a sua mão sobre o mar… as águas foram partidas (21). Um forte vento oriental fez o mar se tornar em seco, talvez para secar o leito de onde as águas recuaram. Devemos ser cautelosos em não forçar a linguagem poética (15.8; SI 78.13) em rígida expressão literal e concluir que as águas desafiaram a gravidade ou se congelaram em bloco sólido.  A palavra muro (22) se refere à barreira de água que ficou em ambos os lados de Israel enquanto atravessavam em marcha.
O registro bíblico não determina a distância do cruzamento pelo mar e a largura da passagem. A área era suficiente para que quase três milhões de pessoas atravessassem em uma noite e bastante ampla para que todos os exércitos de Faraó ficassem no meio do mar (23). Ou os egípcios consideraram a abertura no mar uma ocorrência natural ou então, na sua dureza, se apoiaram na misericórdia de Deus quando marcharam pela abertura. O texto não diz se Faraó entrou com o exército, mas todos os seus cavalos, carros e cavaleiros (23) entraram (o v. 9 não registra a entrada do “exército”).
Na vigília daquela manhã (24), entre duas e seis da manhã,” Deus alvoroçou os egípcios. Pode ser que a coluna diante dos egípcios tenha começado a lampejar, talvez com raios. Os egípcios ficaram com medo e passaram a ter problemas com as rodas dos carros (25), que emperravam (ARA) ou atolavam (NTLH), de forma que transitavam dificultosamente. Pelo visto, o leito seco do mar estava afundando com o peso dos cavalos e carros. Disseram: Fujamos… porque o SENHOR por eles peleja contra os egípcios. Mais uma vez, estes ímpios reconheceram o poder de Deus. A confusão dos egípcios deu tempo para Israel completar a travessia e para todos os egípcios ficarem no leito do mar.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
Comentário Bíblico Beacon

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